Mostrando postagens com marcador padrão de produção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador padrão de produção. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 7 de março de 2014

Lucas Prado Kallas -TIPOS DE COPOS

Tal como existem milhares de marcas e centenas de estilos de cerveja, também existem várias dezenas, senão mesmo centenas de copos. De facto, consoante o tipo de cerveja que estamos a beber, deveremos escolher um copo adequado. Por vezes, tal tarefa torna-se fácil, já que as melhores cervejas costumam indicar no rótulo qual o copo que deverá ser utilizado. Independentemente dessa referência ser feita ou não, tentaremos fazer aqui uma breve análise dos diferentes copos existentes no mercado e para que estilo de cerveja são mais indicados. Há pessoas que consideram esta corrente como mais um golpe de marketing de certas empresas para vender mais produtos. Pensamos que tal não reflete a realidade. Apesar das razões comerciais que estão subjacentes a qualquer negócio, há realmente uma adequação do estilo de uma cerveja a um certo formato de copo. Por exemplo, é natural que as lagers sejam servidas em copos altos, por forma a que o gás e a espuma tenham possibilidade de crescer e mostrar todo o seu carácter. E a formação de espuma não é algo de somenos importância. Esta protege a cerveja da libertação de certos elementos essenciais que, não fora a sua existência, se perderiam no ar. Por outro lado, evita a entrada de ar na cerveja, algo que provocaria a oxidação desta e correspondente perda de qualidades.
Tendo isto em consideração, que estilo de copo utilizar? Bom, a resposta não é imediata e, em países como a Bélgica, tal torna-se verdadeiramente difícil. De facto, é habitual cada marca de cerveja ter o copo correspondente, o que faz com que existam centenas de copos  de centenas de marcas. Como se torna humanamente impossível possuirmos todos os copos, apresentaremos apenas alguns formatos genéricos que servirão para a maior parte das cervejas que se lhe possam deparar (clique na imagem para ver o copo em tamanho maior).

Caneca/Mug/Stein - Pesada, resistente, larga e com uma pega, as canecas são mundialmente conhecidas e utilizadas. Mais ou menos engraçadas, vêm numa multiplicidade de formas e feitios e são excelentes para fazer brindes! Podem ser de vidro, cerâmica ou metal, por vezes têm uma tampa e o seu sucesso deve-se à quantidade de bebida que podem conter. Ideais para cervejas do tipo American Amber Ale, Roggenbier, Sahti, Irish Red Ale, Scottish Ale, Bock, Doppelbock, German Classic Pilsner, Bohemian Pilsner.

Copo para Witbier/Weizen - Nada sabe melhor do que beber uma Witbier no respectivo copo! Feitos de vidro fino, extremamente elegantes e compridos, estas autênticas obras de arte permitem admirar as cores da cerveja e o topo possibilita uma correcta expansão e desenvolvimento da cremosa espuma. Em geral, suportam até 0,5 litros de cerveja. Poderá utilizá-los com cervejas do tipo Dunkel Weizen, Gose, Weizenbock ou Hefe Weizen.

Copo em cilindro/Stange - Bastante comuns, estes copos em cilindro são de origem germânica e utlizam-se com cervejas delicadas, já que possibilitam a ampliação dos aromas e sabores do malte e do lúpulo. Em Portugal, é habitual servirem-se imperiais neste tipo de copos, apesar destes não serem os mais correctos. O cilindro é adequado aos géneros: Rauchbier, Altbier, Kolsch, Lambic-Faro, Lambic-Unblended.

Snifter - Um pouco maiores mas mesmo assim similares aos nossos cálices de brandy ou conhaque, estes copos têm um formato que os tornam excelentes para capturar os aromas de cervejas fortes, já que ajudam na sua preservação. Utilizam-se com Eisbocks, Barley Wine, Old Ale e Russian Imperial Stout.

Flauta/Flute - Estamos mais habituados a utilizar os copos em formato de flauta para beber champanhe ou espumante. No entanto, há cervejas que se dão muito bem com o formato destes copos. A sua elegância e o facto de serem esguios, assegura que o gás não se dissipa com muita rapidez, permitindo igualmente observar a cor e o corpo da cerveja com grande nitidez. Utilizam-se com os géneros Vienna, Schwarzbier, Lambic-Fruit, lambic-Gueuze

Pint/Becker/Tumbler - Quase cilíndrico mas bem mais largo do que o stange, o pint é bastante utilizado na Inglaterra e na Alemanha, por permitir beber vários tipos de cerveja, em grandes quantidades e por ter um desenho universal, barato e que possibilita um fácil armazenamento. É indicado para cervejas do tipo Smoked, Marzen/Oktoberfest, Steam Beer, Malt Liquor, Winter Warmer, Bitter e Pumpkin Ale, entre outras.

Pilsner - O copo de pilsner é o habitual copo das nossas imperiais. Entre as formas de um cilindro e de um cone, a sua estrutura permite manter a cerveja viva, para além de possibilitar a formação de uma boa espuma. Em Portugal, estes copos têm pouco mais de 0,2 litros mas em certos países da Europa podem chegar até aos 0,4 litros, como por exemplo na Alemanha e República Checa. São bons para os estilos American Macro Lager, Happoshu, German Classic Pilsner, European Strong Lager e Witbier.

Cálice/Goblet - São, em geral, autênticas obras de arte, muitos deles com dourado no rebordo, as letras da marca gravadas no vidro, chegando ao ponto de alguns terem relevo. São especialmente desenhadas para permitirem a manutenção da espuma  e a possibilidade de se darem tragos avantajados. São perfeitos para as Abbey Dubbel, Abbey Triple, Belgian Strong Ale e Flemish Sour Ale

Tulipa/Tulip - Também já algo habituais no nosso país, os copos em formato de tulipa são muito elegantes e permitem suportar cervejas que produzam grandes quantidades de espuma. Bastante típicos da Bélgica, são ideais para os estilos Scotch Ale, Saison, Bière de Garde e Belgian Strong Ale.

As indicações que aqui damos não são algo de doutrinal e que se devam seguir cegamente. Há cervejas que se podem beber em dois ou três tipos de copos diferentes. Vejamos o caso de uma pilsner: tanto a poderemos beber numa caneca, como num copo de pilsner ou num copo cilíndrico. E, verdade seja dita, não se vai deixar de beber uma boa cerveja por não se ter o respectivo copo à mão. A ideia que gostaríamos de realçar é a de que existem copos específicos para os diferentes estilos de cerveja e se conseguirmos adequar um ao outro tanto melhor, já que a experiência ficará mais completa e enriquecedora.
Para além do tipo de copo, há outros aspectos que também se devem ter em consideração. Por exemplo, se lhe quiserem servir uma cerveja num copo gelado, recuse. O contacto entre a cerveja e o copo gelado irá provocar um processo de condensação, o que irá diluir a bebida enquanto que, ao mesmo tempo, se alterará a temperatura correcta a que a cerveja deve ser servida. Procure ainda lavar os seus copos à mão. Algumas máquinas de lavar louça deixam resíduo o que pode alterar o sabor e a espuma da cerveja. Tal ideia aplica-se também à secagem: é preferível deixar os copos secarem ao ar, pois os panos podem deixar partículas inconvenientes para a cerveja.
Finalmente, e caso tenha ficado curioso, aqui lhe deixamos alguns sites onde poderá adquirir, ou apenas admirar, copos e outros artefactos dedicados à nobre arte de beber cerveja.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Lucas Prado Kallas -Como utilizar especiarias, por Daniel Bode

Este artigo explica como e porque utilizar especiarias na produção de cervejas caseiras. Esta prática era muito comum nas cervejas mais antigas, quando o trio água, malte e lúpulo não era uma unanimidade. Abaixo o texto escrito por Daniel Bode:
Na realidade, com o intuito de acrescentar sabor e aroma em nossas cervejas, já fizemos uso de várias especiarias como coentro, camomila, chocolate, canela, nozes, castanhas, casca de laranja, zimbro, noz moscada… No entanto, devo admitir que nem todas as nossas experiências foram bem sucedidas e por isso resolvi me aprofundar no assunto e pesquisar o tema em livros e na internet para, quem sabe, aproveitar melhor esse universo de especiarias e incrementar a qualidade e complexidade de nossas cervejas.
I – ESTILOS INDICADOS
Não existe uma regra prática dizendo que esse tempero vai bem com aquela cerveja. Temos, porém, algumas combinações tradicionais e outras em que o próprio senso comum e o paladar nos indica ser adequada. Vejam alguns exemplos clássicos:
- Witbiers e outras belgas: Toda uma gama de especiarias pode ser usada com a mais clássica das cervejas condimentadas. Podemos citar o coentro, cascas de laranjas, camomila, zimbro, pimentas e etc.. Outros estilos belgas também costumam usar tais ingredientes a exemplo da Monasterium, uma Tripel produzida pela Falke que utiliza cascas de laranjas amargas em sua receita.
- Porters e Stouts: Muitos homebrewers americanos condimentam suas cervejas escuras com ingredientes inusitados como “vanilla beans”, “cacao nibs” e “cinnamon sticks”, respectivamente vagens/feijões/favas de baunilha, vagens/favas de cacau, e canela em pau. Penso que os mesmos ingredientes funcionariam muito bem em brown ales ou outras cervejas escuras.
- IPAs e outras inglesas: Ainda que tradicionalmente os inglesas não utilizem tantas especiarias como os Belgas, os homebrewers que produzem essas cervejas tendem a extrapolar essas limitações e vêem utilizando, com bons resultados, ingredientes como gengibre, cascas de laranjas e pimentas variadas.
- Spice/Herb/Vegetable Beer: O BJCP reservou toda uma categoria (21A e 21B) para cervejas condimentadas. Nela, o cervejeiro pode usar a imaginação como lhe convir criando sabores únicos e para lá de especiais. Além disso, nessa categoria se incluem os famosos estilos Christmas/Winter Specialty Spiced Beer muito apreciados e produzidos nos EUA.
II – COMO UTILIZAR
Existem diversas formas de utilizar os temperos sendo a mais comum uma adição simples no final da fervura. Vamos dar uma detalhada maior:
1- Preparação
O primeiro passo é preparar a especiaria. Se for uma casca de laranja, por exemplo, separe-a da fruta e remova a parte branca (que confere um amargor e adstringência desagradáveis na cerveja). O coentro por sua vez deve ser esmagado/amassado enquanto o café deve ser extraído com água um dia antes e misturado ao balde juntamente com o priming na hora do envase.
Canela
Enfim prepare seu ingrediente de forma a ressaltar suas características e aproveitar melhor o seu sabor.
2- Quantidade
Essa é uma etapa importante. O livro “brew like a monk” sugere que os condimentos não devem ser exagerados e devem servir apenas para dar complexidade. Afirmam ainda que se você conseguir identificar o tempero é porque utilizou demais do mesmo.
Concordo em parte com tal afirmação. Claro que exagerar é jogar com o perigo e o resultado pode ser uma leva intragável indo para o ralo. Porém, a audácia muitas vezes favorece o cervejeiro. Como exemplo posso citar a Sex-a-holic, uma cerveja que utilizou 150 gramas de pimenta malagueta para 20 litros de cerveja (o recomendado seria algo como 3 gramas).

Enfim, a Sex-a-holic foi uma cerveja realmente única e que na minha opinião é um exemplo perfeito de como um cervejeiro caseiro pode se beneficiar com o uso (ainda que exagerado) de especiarias
Devo admitir que já exageramos algumas vezes também… No nosso caso nem foi a quantidade mas sim a variedade, fizemos uma Wit que foi um verdadeiro carnaval de temperos. Ficou boa (tanto que foi finalista no concurso nacional), mas a anterior, mais moderada, ficou bem melhor.
3- Como adicionar ?
Bem, a maioria pode ser adicionada no final da fervura (como gengibre), ainda que outros ingredientes se beneficiem mais de adições posteriores como durante a maturação (canela) ou no envase (café).
Como uma regra geral podemos afirmar que a adição durante a fervura tem a vantagem de esterilizar as especiarias prevenindo o risco de contaminação ainda que o calor dessa etapa possa prejudicar a contribuição com o aromas dos temperos utilizados.
Por outro lado, na maturação sua cerveja já estará devidamente saturada de álcool e lúpulo, portanto o risco de contaminação permanece pequeno. Alguns ingredientes “funcionam” melhor se usados nessa etapa como o uso de chips de carvalho, o cacau e etc…
Até mesmo no envase podemos fazer uso de especiarias um grande exemplo é a Colorado Demoseille que recebe adição de café na hora de ser engarrafada.
III – TABELAS
Achei e traduzi duas tabelas sobre especiarias. A Primeira, de Randy Mosher em seu livroRadical Brewing, da um apanhado geral nos sabores e aromas que podemos esperar de cada tempero.
A segunda, retirada de um artigo na Byo, explica como e quando adicionar cada tempero. Devo admitir que discordo de algumas coisas nessa tabela (apesar de te-la traduzido como estava), principalmente no tempo de adição da fervura. Digo isso poisa maior parte do que li na internet sugere o final da fervura (no máximo 15minutos para o fim da mesma) como o tempo ideal de adição para a maior parte das especiarias, a tabela, contrariando tal espectativa sugere, em muitos casos, adições prematuras (a maior parte delas acima dos tais 15 minutos).
Por: Daniel Bode, cervejeiro caseiro, do blog parceiro Henrik Boden.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Lucas Prado Kallas, Um cervejeiro de primeira -Ambev traz cerveja Corona ao Brasil neste 2º semestre

A Ambev enxerga um cenário melhor para a venda de cerveja em 2014 e prevê o lançamento da marca Corona no Brasil no segundo semestre, dentro da estratégia de aumentar o peso dos rótulos premium, com maior margem, no volume total comercializado.

Em teleconferência com analistas nesta quarta-feira, o diretor geral da companhia, João Castro Neves, afirmou que a Corona deverá estrear no Brasil após a Copa do Mundo, posicionada como uma cerveja "super premium".
A marca passou a integrar o portfólio global da AB InBev, controladora da Ambev, após a companhia comprar o controle do grupo mexicano Modelo, num negócio anunciado em 2012.
No ano passado, as marcas premium da Ambev responderam por cerca de 7% do volume de cerveja da empresa no Brasil, com avanço de dois dígitos em marcas como Original, Budweiser e Stella Artois, incluídas pela empresa nesta categoria.
Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, Nelson Jamel, o percentual ficou acima do peso de 5% a 6% do segmento premium no mercado em geral.
Classificando a estreia ainda sem data da Corona como uma "adição importante" na plataforma de marcas globais, Jamel afirmou em teleconferência com jornalistas que vê uma clara tendência de expansão para o segmento premium.O participação das cervejas mais caras da Ambev cresceu na contramão dos números totais da empresa: o volume de cerveja vendido pela companhia recuou 4,3% no Brasil em 2013, afetado por fatores como inflação e clima desfavorável.
"Não temos número específico, mas quando olhamos outros mercados desenvolvidos, o peso de marcas premium no total atinge mais de 10%, 15%, até 25%", afirmou. "É uma distância grande dos 7% que temos hoje para os 25%, então tem muito espaço para crescer", completou.
Jamel afirmou que as perspectivas para o setor em geral também são positivas em 2014, com a indústria cervejeira voltando a mostrar aumento de volume, apoiada por preços menores. "A nossa expectativa para o ano de 2014 é ter preços em patamares inferiores ao que a gente viu. É o principal fator para cenário de crescimento de volume. Lógico que aí você soma Copa do Mundo", afirmou o executivo.
Ele chamou o evento esportivo de "um verão no meio do ano", em função do aumento de vendas esperado para um período que é tradicionalmente mais morno para a empresa. "Tivemos uma experiência bem positiva com a Copa das Confederações no ano passado, foi único período do ano em que nosso volume chegou a crescer um pouquinho ou pelo menos não cair", disse.
Os investimentos da companhia no Brasil deverão ficar próximos dos níveis observados em 2013, quando fecharam em R$ 2,8 bilhões, de um total aplicado pela companhia de R$ 3,8 bilhões no ano. A Ambev vai inaugurar duas fábricas no Brasil em 2014: uma em Uberlândia (MG), em março, e outra em Ponta Grossa (PR), ainda sem previsão de abertura.
Resultados
No quarto trimestre, a companhia melhorou os resultados operacionais apesar da queda nos volumes no Brasil, seu principal mercado, apoiando-se no aumento de preços e em uma menor alíquota efetiva de impostos. Antes da abertura do mercado, a Ambev divulgou um avanço de 27,2% no lucro líquido trimestral ante igual período de 2012, a R$ 4,75 bilhões.
No consolidado do 2013, a Ambev elevou o lucro líquido em 9%, a R$ 11,35 bilhões, e a receita líquida em 7,9%, a R$ 34,8 bilhões, apesar de uma queda de 2,7% no volume geral. "Gostaríamos de ter visto melhores tendências de volume ao longo de 2013, mas a Ambev conseguiu entregar bons resultados no ano, especialmente no segundo semestre, na esteira de sua estratégia em preços, inovação e (segmento) premium", disse o Itaú BBA, em relatório assinado por Thiago Macruz.
"Considerando a taxa de imposto mais baixa, acreditamos que os ganhos poderiam crescer acima de 20% em 2014, suportando um bom desempenho para a ação", afirmou o BBA. Às 16h40, as ações da companhia operavam em alta de 1%, a R$ 16,76, com o Ibovespa recuando 0,23% no mesmo momento.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Lucas Prado Kallas, um cervejeiro de primeira -Lei Alemã da Pureza (Reinheitsgebot)

Imagine-se curtindo uma ressaca de matar. Dor de cabeça, choro e ranger de dentes. E você tem absoluta certeza de que essa ressaca veio de uma cerveja sabidamente muito ruim que você tomou na véspera.
Foi exatamente o mal que acometeu Guilherme IV, duque da Baviera (região alemã onde está Munique), no dia 23 de abril do longínquo ano de 1516, quando assinou a Reinheitsgebot, ou, para os íntimos, a Lei de Pureza da Cerveja, a qual determinava que a breja local só poderia, dali em diante, ser produzida utilizando-se apenas água puramalte e lúpulo. O fermento, por sua vez, foi incluído nesta lei algum tempo mais tarde, uma vez que ainda não era conhecido.
Guilherme tinha ótimos motivos para radicalizar. Até então, os cervejeiros da Baviera, na tentativa de “inovar” suas receitas, incluíam ingredientes bizarros na cerveja, como fuligem e cal, o que, provavelmente, teria causado a ressaca ducal.
Hoje, muitas cervejarias ainda seguem à risca a Reinheitsgebot, principalmente as alemãs e belgas, o que explica a excelência das brejas produzidas nesses países. No Brasil, várias cervejarias artesanais também compartilham do mesmo ideal de Gulherme, como a Eisenbahn e a Falke, produzindo cervejas de qualidade indiscutível.
Leia a íntegra traduzida da Reinheitsgebot:
"Como a cerveja deve ser elaborada e vendida neste país, no verão e no inverno: Decretamos, firmamos e estabelecemos, baseados no Conselho Regional, que daqui em diante, no principado da Baviera, tanto nos campos como nas cidades e feiras, de São Miguel até São Jorge, uma caneca de 1 litro (1) ou uma cabeça (2) de cerveja sejam vendidos por não mais que 1 Pfennig da moeda de Munique, e de São Jorge até São Miguel a caneca de 1 litro por não mais que 2 Pfennig da mesma moeda, e a cabeça por não mais que 3 Heller (3), sob as penas da lei. Se alguém fabricar ou tiver cerveja diferente da Märzen, não pode de forma alguma vende-la por preço superior a 1 Pfennig por caneca de 1 litro . Em especial, desejamos que daqui em diante, em todas as nossas cidades, nas feiras, no campo, nenhuma cerveja contenha outra coisa além de cevada, lúpulo e água. Quem, conhecendo esta ordem, a transgredir e não respeitar, terá seu barril de cerveja confiscado pela autoridade judicial competente, por castigo e sem apelo, tantas vezes quantas acontecer. No entanto, se um taberneiro comprar de um fabricante um, dois ou três baldes (4) de cerveja para servir ao povo comum, a ele somente, e a mais ninguém, será permitido e não proibido vender e servir a caneca de 1 litro ou a cabeça de cerveja por 1 Heller a mais que o estabelecido anteriormente.”
Guilherme IV, duque da Baviera, no dia de São Jorge (23 de abril), no ano de 1516, em Ingolstadt"
(Extraído do livro "O catecismo da Cerveja", de Conrad Seidl - Editora Senac)

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Blumenau abre primeira escola superior de cerveja do Brasil

Instituição também será a primeira da América Latina voltada para a fabricação da bebida

cervejaGetty Images
Publicidade
A cidade catarinense de Blumenau, nacionalmente conhecida pela organização da Oktoberfest (celebração de origem alemã organizada em outubro que é dedicada ao consumo cerveja), será a sede da primeira Escola Superior de Cerveja da América Latina.
O curso foi criado pelo IADE (Instituto de Administração de Empresas) e será ministrado em um espaço de aproximadamente seis mil metros quadrados que contará com 11 salas de aula, quatro laboratórios, uma pequena fábrica e um  brew pub (bar da cervejaria).
— Nosso Estado e região são conhecidos pelas cervejarias artesanais, um mercado em forte expansão nos últimos anos. Detectamos a necessidade de capacitar os profissionais da área, além de dar a oportunidade para os amantes dessa bebida, conta o diretor da escola, Carlo Enrico Bressiani.
O diretor informou que a meta da instituição é fazer aqui o que acontece no Vale dos Vinhedos em relação aos vinhos. O foco é ser referência em serviço técnico, pesquisa e extensão. A escola será lançada no Festival Brasileiro da Cerveja em março de 2014.

Fonte: R7

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A história da Eisenbahn


A idéia de uma cervejaria artesanal surgiu de uma família apaixonada por
cervejas especiais. Descontentes com a pequena variedade de cervejas
disponíveis no Brasil, decidiram fundar uma cervejaria que trouxesse de volta a
tradição, o sabor e a variedade ao mercado brasileiro. Foram alguns anos de
pesquisas, conversas com mestres cervejeiros da Alemanha, Bélgica e EUA e
inúmeras visitas às cervejarias desses países. E com a vinda de um mestre
cervejeiro alemão com 30 anos de experiência, o sonho tornou-se realidade.

Em julho de 2002 nasce a Cervejaria Sudbrack, com a marca EISENBAHN já
com três estilos de chopp: o Pilsen, de origem Tcheca; o Dunkel de origem
alemã e o Pale Ale de origem belga. Já no ano seguinte, é lançado o
Weizenbier, chopp de trigo originário da Alemanha. Ainda em 2003, a
Eisenbahn lança a Weihnachts Ale, uma cerveja sazonal comercializada
apenas de novembro a janeiro em comemoração ao Natal, tradição vinda
também da Alemanha. Em 2004, surge a primeira cerveja orgânica do Brasil,
feita com ingredientes orgânicos sem conservantes e sem agrotóxicos. Nesse
mesmo ano, é lançada também a Weizenbock, cerveja escura de trigo, ideal
para os dias de inverno. No ano seguinte, é lançada a Kölsch, cerveja originária
da cidade de Colônia, também na Alemanha. Já no final do mesmo ano, 2005,
a Eisenbahn lança a Rauchbier, primeira cerveja brasileira feita com maltes
defumados. Uma cerveja feita em parceria com César Adames especialmente
para a harmonização com charutos.

Por toda essa inovação e excelência em seus produtos, nesse mesmo ano a
Eisenbahn foi a única cervejaria brasileira a ser convidada a ter os seus
produtos comercializados na Galeria Lafayette, em Paris, durante as
comemorações do ano do Brasil na França.

Entramos em 2006 e, com apenas 4 anos, a Eisenbahn lança a sua 10º
cerveja, a Strong Golden Ale, de inspiração belga e alto teor alcoólico. No
mesmo ano, a superação: O lançamento da Eisenbahn Lust, cerveja produzida
pelo mesmo método de fabricação dos champanhes franceses, sendo a


terceira no mundo e mais uma vez, a única no Brasil. Ainda em 2006, a
Eisenbahn trouxe ao Brasil o maior especialista do mundo em harmonização de
cervejas especiais com gastronomia, o americano Garrett Oliver.

No ano de 2007, os reconhecimentos internacionais começam a aparecer: Em
fevereiro, as cervejas Eisenbahn ganharam as páginas da inglesa Beers of the
World. A Eisenbahn Lust, a Eisenbahn Strong Golden Ale e a Eisenbahn
Dunkel receberam a melhor pontuação na edição de Fevereiro/Março. O crítico
e especialista Jeff Evans experimenta cervejas do mundo inteiro e neste mês
abriu a sua matéria falando da Cervejaria Eisenbahn e coloca as três cervejas
citadas como Editor's choice (a escolha do editor). Além disso, as cervejas
Eisenbahn Rauchbier e a Eisenbahn Kölsch entraram na matéria como
"recomendadas".

Em julho, ao completar 5 anos de existência, lança a Eisenbahn 5, cerveja
comemorativa ao aniversário e de edição limitada. Porém, tamanha foi a
procura e apreciação dessa cerveja feita pelo método dry-hopping que hoje ela
faz parte da linha reserva especial e é produzida normalmente.

Em agosto, mais uma realização internacional: A Eisenbahn participou do
Great British Beer Festival, uma das maiores feiras de cervejas do mundo em
Londres. Como foi a 30º edição do evento, o bar Bières San Frontiers
comercializou cervejas de trinta países, sendo a Eisenbahn a única brasileira.
Estavam presentes a Eisenbahn Pale Ale, Eisenbahn Rauchbier, Eisenbahn
Strong Golden Ale, Eisenbahn Dunkel e Eisenbahn Kölsch.

Ainda falando internacionalmente, em novembro a Eisenbahn participou do
European Beer Star, um dos maiores e mais prestigiados concursos de cerveja
do mundo, na Alemanha, país da cerveja. Com isso, faturou 2 medalhas de
bronze, com a Eisenbahn Dunkel (categoria German-Style Schwarzbier) e a
Eisenbahn Weizenbock (categoria South-German-Style Weizenbock Dunkel). O
European Beer Star contou com mais de 570 marcas de cerveja de 40
categorias diferentes, de 28 países, com um time de 54 jurados tradicionais e


rigorosos, a maioria alemães. A Eisenbahn foi a primeira cervejaria da América
do Sul a conquistar esse prêmio.

E para encerrar o ano com chave de ouro, em dezembro lança a Lust Prestige,
uma versão mais aprimorada da Lust, que tem maturação de 1 ano ao invés de
3 meses.

Começa 2008 e a Eisenbahn aparece no Beer Judge Certification Program,
que é uma organização americana responsável por treinar juízes e publicar em
seu site uma descrição técnica detalhada de cada estilo de cerveja existente, e,
ao final de cada descrição, cita algumas marcas como exemplos desses
estilos. A Eisenbahn apareceu como exemplo em cinco diferentes estilos, com
a Eisenbahn Rauchbier, Eisenbahn Kölsch, Eisenbahn Weizenbock, Eisenbahn
Pale Ale e Eisenbahn Weizenbier. Também no mesmo mês, a Eisenbahn
participou do Australian International Beer Awards. O AIBA contou com 1084
cervejas, de 217 cervejarias de 42 países. Nesse concurso, ganhou 3
medalhas de prata com a Eisenbahn Dunkel (categoria Lager Package),
Eisenbahn Weizenbock (categoria Wheat Beer Package) e Eisenbahn Lust
(categoria Belgian and French Style Ales Package), estando assim mais uma
vez entre as melhores do mundo.

Dando seqüência aos acontecimentos internacionais, Eisenbahn é citada no
livro do Michael Jackson, um dos melhores escritores e conhecedores de
cervejas do mundo. Esse livro é como se fosse um guia de cervejas de todo o
mundo e a Eisenbahn é a única cervejaria brasileira que aparece na página da
América Latina. E ao falar da Eisenbahn aparece a Eisenbahn Kölsch, como
indicação. Já em abril, a Eisenbahn participou do World Beer Cup e ganhou
uma medalha de bronze novamente com a Eisenbahn Dunkel. No World Beer
Cup participaram 2931 cervejas, de 644 cervejarias de 58 países em 91
categorias. Ainda no mês de abril, a Revista inglesa Beers of the World coloca
a Eisenbahn em uma matéria de quatro páginas onde fala que a empresa é
uma cervejaria brasileira com estilo germânico. Na reportagem ressalta ainda a
qualidade e preocupação em produzir cervejas tradicionais resgatando


conceitos que se perderam ao longo do tempo com a chegada das grandes
cervejarias. E ainda, na coluna do Jeff Evans, o mesmo indica a Eisenbahn
Weizenbock como Recomendada pelo Editor.

No final do primeiro semestre de 2008, a Eisenbahn é adquirida pelo Grupo
Schincariol, maior indústria brasileira de bebidas. O parque fabril em Blumenau
é mantido, bem como o processo artesanal de fabricação do produto. A
Eisenbahn continua sendo reconhecida nas principais premiações
internacionais e, em novembro, foi vencedora do European Beer Star Awards:
ouro para a versão Dunkel, na categoria German Style Scharzbier; e prata para
a versão Weinzenbock na categoria Weizenbock Dunkel. Isto faz da cervejaria
uma colecionadora de títulos internacionais: ao todo são mais de 30 prêmios.

Ainda em 2008 a Eisenbahn lança A Dama do Lago, vencedora do Concurso
Mestre Cervejeiro 2007, e inicia a sua segunda edição. A cerveja, uma Belgian
Dark Strong Ale com 9% de teor alcoólico, foi criada por Leonardo Botto e
produzida em edição limitada. Em 2009 A Dama do Lago recebe medalha de
bronze no Australian International Beer Awards na categoria Abbey Style,
Dubbel and Triple.

No mesmo ano é lançada a vencedora da segunda edição do Concurso Mestre
cervejeiro: a Joinville Porter. O catarinense Ivan Guilherme Steinbach
desenvolveu a melhor receita, uma cerveja estilo Robust Porter de coloração
preta com sabor de malte torrado e um pouco adocicada.

O Concurso consolida-se como tradição entre os cervejeiros brasileiros,
ganhando destaque da imprensa especializada e mais adeptos a cada ano. Em
2009, com a 3ª edição, foram 88 inscritos e 57 bebidas enviadas. A receita
vencedora foi do paranaense Sandro Sebastião Singer e deu origem a São
Sebá, uma cerveja do estilo Belgian Dubbel lançada no segundo semestre de
2010.

Ainda neste ano, a Eisenbahn se torna patrocinadora oficial da ABS-SP


(Associação Brasileira de Sommeliers - São Paulo), participando dos eventos
relacionados a cerveja e levando a cultura cervejeira para os interessados e
grandes apreciadores da bebida.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Cerveja artesanal ganha cada vez mais espaço


O aumento do preço da cerveja e a Lei Seca estão empurrando o consumo da bebida, um dos hábitos arraigados entre os brasileiros, para segundo plano. Por outro lado, a alta da cerveja industrial consegue dar impulso às microcervejarias que se espalham por Minas Gerais – um total de 30, segundo informações do Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral (Sindbebidas-MG). Isso porque, com preços das cervejas tradicionais em elevação, as artesanais estão ganhando em competitividade, além de se destacar por um melhor custo-benefício. Segundo levantamento do site de pesquisas Mercado Mineiro, em outubro, o preço das bebidas industriais variou de R$ 6,55 a R$ 7,40 a garrafa com 600 ml, enquanto as artesanais custam a partir de R$ 10. 

Fernando Júnior, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Minas Gerais (Abrasel-MG), lembra que a importância que o consumidor tem dado à qualidade dos produtos, e não mais à quantidade consumida, ajuda a puxar a venda das artesanais. “Nas demais cervejas, já experimentamos queda de 5% no consumo, muito em função dos preços, e a nossa percepção é de migração para as artesanais, mas também para vinhos, vodcas e caipis”, lembra. “Com as pessoas bebendo menos em função da Lei Seca, por vezes acaba dando preferência a produtos que oferecem mais qualidade e experiência”, acrescenta. 

Embora tenha sentido efeitos semelhantes aos das grandes cervejarias, com retração de produção e faturamento, Paula Lebbos, diretora de Marketing da cervejaria Backer, que tem produção superior a 240 mil litros/mês, atribui os resultados do ano ao crescimento da cultura cervejeira. “Sentimos uma retração em relação à economia em geral, à falta de dinheiro no mercado e à entrada de marcas importadas com preços acessíveis e esperávamos crescimento maior do que o que deve acontecer”, diz. “No entanto, o público de bebidas especiais continua crescendo, e isso favorece o nosso negócio”, reforça Paula. A cervejaria está investindo R$ 5 milhões na ampliação do seu parque, especialmente para receber os visitantes.

Alencar Barbosa, sócio da Cervejaria Küd, que lançou ano mercado as garrafas de 600ml este ano, ao preço médio de R$ 15, acredita na expansão do setor para os próximos anos, apoiado pelo surgimento de uma imensa variedade de rótulos, principalmente na região de Nova Lima, na Grande BH, onde a produção de cervejas foi enquadrada como atividade artesanal. Entre as vantagens frente à cerveja industrializada, ele destaca a carga cultural do produto, que dá ao consumidor a vantagem de saber como ele é fabricado. “Muitos consumidores entram no mercado artesanal pela curisosade, e não pela busca do melhor preço”, comenta. 

 Fonte: Uai/Estado de Minas

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Cerveja brasileira vai ganhar novo padrão de produção

SÃO PAULO - O Ministério da Agricultura publicou no Diário Oficial da União desta quarta-feira, 22, o texto que vai determinar os novos padrões para a fabricação da cerveja no Brasil e no Mercosul.
Entre as principais mudanças propostas, o texto veta a substituição do lúpulo ou seus derivados por outros princípios amargos. No caso deste último, a exceção é a cerveja gruit, na qual o lúpulo é totalmente substituído
No texto, o ministério proíbe a adição de qualquer tipo de álcool (que não seja do processo natural de fermentação), qualquer que seja sua procedência. Também fica vetada a adição de água fora das fábricas ou unidades engarrafadoras habilitadas. por outras ervas.
A proposta prevê a permissão para adicionar mel, leite, frutas e ervas na receita da bebida. Já a substituição do malte por outros insumos cervejeiros (como milho, arroz, entre outros) não pode ser maior que 45% em relação ao extrato primitivo.
O objetivo da elaboração de novos padrões de produção é abrir espaço para as microcervejarias diante do avanço das cervejas importadas e padronizar o processo de produção no setor.
No caso de adição de açúcares vegetais diferentes dos provenientes dos cereais, como o mel, a quantidade máxima em relação ao seu extrato primitivo deverá ser menor ou igual a 25% em peso.

O documento ficará em consulta pública nos próximos 60 dias para sugestões e comentários, que deverão ser encaminhados em formato de planilha eletrônica para o e-mail cp.cerveja@agricultura.gov.br.

A versão do texto para consulta pública foi desenvolvido a partir de duas reuniões, realizadas em fevereiro e agosto do ano passado, com representantes do setor. Estiveram presentes executivos tanto das grandes indústrias quanto de pequenos produtores artesanais, associações e especialistas do setor.

Segundo dados de dezembro do Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos do
Ministério da Agricultura, 232 cervejarias e 1,1 mil tipos de cervejas estão registrados no Brasil.

De acordo com informações do Bart-Haas Group, o país ocupa a terceira posição no ranking mundial de produção de cerveja, com cerca de 13,7 bilhões de litros produzidos no ano de 2012 e um consumo per capita de aproximadamente 65 litros anuais.

estadao