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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Lucas Prado Kallas -Escola Inglesa

"Cerveja na Inglaterra é Ale. Esqueça beer. 
Good people drinks good ales!"
Região 
Ilhas Britânicas
Contexto
A escola inglesa é talvez até mais antiga do que a alemã. Mas é também a que mais se transformou entre as três clássicas.
No início da idade média, uma bebida era muito popular nas ilhas britânicas, o hidromel. Obtido da fermentação do mel, podemos considerá-la uma espécie de ancestral das ales inglesas antigas. 
Do hidromel evoluiu-se para a fermentação também do malte de cevada, o que produzia uma bebida forte, doce e alcoólica. Ligados à essa primeira fase da escola inglesa, restaram os estilos Old Ale e Barley Wine.
No século XV, uma mudança radical ocorreu na escola inglesa: a introdução do lúpulo. Inicialmente como conservante, caiu no gosto dos ingleses e mudou completamente o conceito das ales. De doces passaram a ser cada vez mais amargas.
Dessa fase destacam-se as English Pale Ales que são classificadas em amargas, especialmente amargas e extra especialmente amargas.
Uma terceira fase ocorreu a partir do século XVI, especialmente motivada pelo desenvolvimento das colônias inglesas pelo mundo. Com a necessidade de transporte de longa distância, por longos meses em navios, as cervejas foram tornando-se cada vez mais fortes, intensas e alcoólicas. Foi aqui que surgiram os estilos Porter e Stout.
No segunda metade do século XX, a situação tornou a mudar radicalmente. De cervejas fortes os ingleses passaram a ser inundados pelas grandes cervejarias e suas lagers de massa. As velhas ale houses foram fechando, os estilos tradicionais sendo abandonados e o padrão de consumo inglês mudou, não por opção, mas por preço e falta de oferta.
Felizmente, no final da década de 70, consumidores revoltados com o desaparecimento do jeito inglês de fazer cerveja, criaram o CAMRA. 
A sigla significa literalmente Campanha pela Cerveja de Verdade (Campaign for Real Ale) e foi responsável pelo resgate não apenas de estilos, mas da cultura dos pubs e dos pequenos cervejeiros. O CAMRA, é um marco na história da cerveja mundial especialmente por ser um movimento de consumidores e não de produtores. Mudou definitivamente o mercado inglês e desde então a valorização das ale houses tradicionais, os brewpubs, tornou-se uma obsessão para os ingleses
Características
Como vimos a escola inglesa possui fases bem distintas o que reflete em seus estilos. Cervejas doces e alcoólicas que passaram a cervejas leves e amargas que evoluíram a cervejas fortes e amargas. Ales para todos os gostos!
Duas características marcam, via de regra, a escola. São cervejas com baixa carbonatação, quase aguadas, e consequentemente com pequena formação de creme e todas elas são cervejas de fermentação de superfície, ales na acepção técnica do termo.
Principais Estilos
Pale Ale, Porter, Stout, Old Ale, Barleywine, Brown Ale. 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Lucas Prado Kallas, um cervejeiro de primeira -Lei Alemã da Pureza (Reinheitsgebot)

Imagine-se curtindo uma ressaca de matar. Dor de cabeça, choro e ranger de dentes. E você tem absoluta certeza de que essa ressaca veio de uma cerveja sabidamente muito ruim que você tomou na véspera.
Foi exatamente o mal que acometeu Guilherme IV, duque da Baviera (região alemã onde está Munique), no dia 23 de abril do longínquo ano de 1516, quando assinou a Reinheitsgebot, ou, para os íntimos, a Lei de Pureza da Cerveja, a qual determinava que a breja local só poderia, dali em diante, ser produzida utilizando-se apenas água puramalte e lúpulo. O fermento, por sua vez, foi incluído nesta lei algum tempo mais tarde, uma vez que ainda não era conhecido.
Guilherme tinha ótimos motivos para radicalizar. Até então, os cervejeiros da Baviera, na tentativa de “inovar” suas receitas, incluíam ingredientes bizarros na cerveja, como fuligem e cal, o que, provavelmente, teria causado a ressaca ducal.
Hoje, muitas cervejarias ainda seguem à risca a Reinheitsgebot, principalmente as alemãs e belgas, o que explica a excelência das brejas produzidas nesses países. No Brasil, várias cervejarias artesanais também compartilham do mesmo ideal de Gulherme, como a Eisenbahn e a Falke, produzindo cervejas de qualidade indiscutível.
Leia a íntegra traduzida da Reinheitsgebot:
"Como a cerveja deve ser elaborada e vendida neste país, no verão e no inverno: Decretamos, firmamos e estabelecemos, baseados no Conselho Regional, que daqui em diante, no principado da Baviera, tanto nos campos como nas cidades e feiras, de São Miguel até São Jorge, uma caneca de 1 litro (1) ou uma cabeça (2) de cerveja sejam vendidos por não mais que 1 Pfennig da moeda de Munique, e de São Jorge até São Miguel a caneca de 1 litro por não mais que 2 Pfennig da mesma moeda, e a cabeça por não mais que 3 Heller (3), sob as penas da lei. Se alguém fabricar ou tiver cerveja diferente da Märzen, não pode de forma alguma vende-la por preço superior a 1 Pfennig por caneca de 1 litro . Em especial, desejamos que daqui em diante, em todas as nossas cidades, nas feiras, no campo, nenhuma cerveja contenha outra coisa além de cevada, lúpulo e água. Quem, conhecendo esta ordem, a transgredir e não respeitar, terá seu barril de cerveja confiscado pela autoridade judicial competente, por castigo e sem apelo, tantas vezes quantas acontecer. No entanto, se um taberneiro comprar de um fabricante um, dois ou três baldes (4) de cerveja para servir ao povo comum, a ele somente, e a mais ninguém, será permitido e não proibido vender e servir a caneca de 1 litro ou a cabeça de cerveja por 1 Heller a mais que o estabelecido anteriormente.”
Guilherme IV, duque da Baviera, no dia de São Jorge (23 de abril), no ano de 1516, em Ingolstadt"
(Extraído do livro "O catecismo da Cerveja", de Conrad Seidl - Editora Senac)

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

As escolas da cerveja



O consumo de cerveja é popular em todo o mundo, mas podemos dizer que existem basicamente quatro escolas de cervejas: a alemã, a inglesa, a belga e a americana.



A escola alemã, que envolve também Áustria e República Tcheca, apresenta como principais características a lealdade à cultura regional de seus estilos, pois cada cidade, até as mais pequenas, têm suas cervejarias, são mais de 5 mil marcas existentes.

Os estilos de cervejas mais comuns da escola alemã são German Pils, Bohemia Pils, Münchner Helles e Vienna Lager. Eles levam apenas os 4 ingredientes básicos da cerveja, que vão dar o aroma e sabor da bebida.

Já a escola inglesa, que engloba também a Escócia e Irlanda, se caracteriza pelo costume de confraternizar. Sair para beber com os amigos em um pub é um hábito frequente. Nesses locais, o maior consumo é das cervejas em barril, os estilos preferidos são as Porters e as Pale Ales, que são menos carbonatadas e, em consequência, têm menos espuma.

Seus principais estilos são a IPA (India Pale Ale), Old Ale, Scotch Ale, Stout, Irish Red Ale, todas cervejas de alta fermentação com notas aromáticas que vão das herbais dos lúpulos ingleses até o torrado e café das Stouts.

Os estilos da escola belga como Dubbel, Tripel, Quadrupel, tem como característica principal a explosão de aromas e sabores. As belgas são únicas! Muitas não têm um estilo definido, costumam realçar o malte ao lúpulo, tem o amargor em segundo plano, e é comum a adição de diversas especiarias, como casca de laranja, coentro e anis estrelado, entre outros. A escola belga tem inclusive as cervejas Trapistas (feitas em mosteiros por monges) e de Abadia, que normalmente têm mais de mil anos de tradição.

A mais nova de todas, a escola norte-americana, traz inovação e diversidade aos tradicionais estilos centenários europeus. Elas vão de um extremo ao outro, desde as light até as mais lupuladas do mundo. Outro fenômeno americano é o das microcervejarias: no início da década de 1990 eram apenas 290, hoje já somam quase 2.000 e cada uma imprime novidades e versões aos tradicionais estilos europeus.
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